Autoria: Pedro Neto
Curadoria: Luisiana Passarini


Você já chorou ouvindo música? Já se sentiu alegre, triste ou teve vontade de dançar? Infelizmente eu não consigo te ouvir e não vou saber a sua resposta. Se eu tivesse que adivinhar, diria que SIM. A música já te fez alegre e já te fez triste; já te fez sentir arrepios, vontade de dançar e até mesmo de chorar. Mas você já se perguntou por que isso acontece?

Em uma revisão bibliográfica de 2014, Stefan Koelsch, pesquisador da Universidade de Bergen, na Noruega, constatou que diversas estruturas cerebrais podem estar envolvidas em processos emocionais evocados por música. As emoções que você sente ao ouvir sua banda preferida, por exemplo, já foram associadas à ativação de estruturas neurais como a amígdala, o hipocampo, o tálamo medial, o núcleo accumbens, o córtex caudal e o córtex cingulado. De modo geral, a ativação dessas regiões aumenta enquanto ouvimos músicas ou trechos musicais que são particularmente emocionantes para nós.

“Ok, música ativa essas regiões cerebrais, mas quais são as implicações disso para a nossa vida?”

Bom, conforme apontado por Koelsch, disfunções e anormalidades nessas estruturas costumam estar ligadas a transtornos de ansiedade, de estresse pós-traumático, à doença de Parkinson, à esquizofrenia e a diversas doenças neurodegenerativas. Visto que a saúde mental é regulada por essas estruturas límbicas e paralimbicas (regiões ligadas à emoção), o autor sugere que a música pode ser usada como estímulo terapêutico e/ou profilático contra essas doenças.

Para além das questões ligadas à atividade cerebral, Koelsch sugere que o aspecto social da música pode nos trazer benefícios significativos. Segundo o autor, práticas que promovem a cooperação, a sincronia e o contato interpessoal estão ligados a uma melhora significativa dos índices de saúde, de qualidade e de expectativa de vida. As conclusões desta revisão bibliográfica apontam para algo que talvez a gente já soubesse. De todo modo, é muito bom saber que há embasamento neurocientífico e epidemiológico para os benefícios que a música nos traz.


Pedro Neto se formou em música pela Unicamp, foi pesquisador visitante no laboratório de cognição musical da Queen’s University – Canadá e hoje é estudante de mestrado em Neurociência e Cognição na Universidade Federal do ABC.


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Luisiana B.F. Passarini
Musicoterapeuta Diretora do CMBB